Inflação e alta dos juros globais derrubam bolsas e reacendem temores econômicos em 2026
As bolsas globais recuaram nesta sexta-feira (15) após dados de inflação nos EUA reforçarem preocupações com a persistência de preços elevados e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro. O mercado ajustou expectativas para cortes de juros em 2026, com investidores precificando manutenção ou até aumento das taxas pelo Federal Reserve. A reunião entre Trump e Xi Jinping não aliviou tensões geopolíticas que impactam os mercados.
Inflação e rendimentos dos títulos pressionam mercados
Os principais índices acionários dos EUA registraram queda acentuada nesta sexta-feira, revertendo o rali da semana impulsionado por ganhos no setor de tecnologia. O movimento foi desencadeado pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro, com o yield do título de 10 anos dos EUA subindo 13 pontos-base para 4,58%, enquanto o de 30 anos alcançou 5,12%, o maior nível em um ano. Rendimentos mais altos também foram observados no Japão e no Reino Unido, refletindo um cenário global de aperto monetário. A inflação persistente, evidenciada por dados recentes de preços ao consumidor e produtor nos EUA, reduziu as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026. No início do ano, o mercado projetava entre dois e três cortes, mas agora precifica manutenção ou até aumento das taxas até o fim do ano.
Impacto da política monetária e geopolítica
A confirmação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve pelo Senado dos EUA não trouxe alívio aos mercados. Warsh, indicado por Donald Trump, é visto como mais dovish que Jerome Powell, mas os dados recentes de inflação limitaram as apostas em flexibilização monetária. Além disso, a reunião entre Trump e Xi Jinping em Pequim não resultou em avanços significativos para conter a guerra no Irã ou estabilizar os preços do petróleo, mantendo a incerteza geopolítica. Analistas destacam que a combinação de inflação elevada, juros altos e tensões internacionais cria um ambiente desafiador para os investidores, com riscos de desaceleração econômica global.