Agropecuária brasileira enfrenta desaceleração com risco de El Niño e alta nos custos de fertilizantes
A agropecuária brasileira, que cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026, deve entrar em trajetória de queda até 2027 devido ao risco de perdas nas colheitas causadas pelo El Niño e ao aumento dos custos de produção, especialmente de fertilizantes. Especialistas alertam para impactos significativos em diversas culturas.
Crescimento inicial e perspectivas de desaceleração
A agropecuária brasileira registrou um crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o último trimestre de 2025, impulsionada principalmente pela produção de grãos, como a soja. No entanto, analistas preveem uma desaceleração nos próximos meses, com possíveis quedas até 2027. O economista Felippe Serigati, da FGV Agro, destaca que 'não se faz safra recorde em ano de El Niño', referindo-se ao fenômeno climático que deve ser oficialmente confirmado entre junho e julho de 2026. O último El Niño de grande intensidade, ocorrido em 2014 e 2015, resultou na maior quebra de safra da história do país.
Impactos do El Niño na produção agrícola
O El Niño, caracterizado por secas intensas no Centro-Norte e chuvas excessivas no Sul do Brasil, deve atrasar os plantios e reduzir as colheitas de 2027. Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, ressalta que 'praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño'. As regiões produtoras enfrentarão desafios distintos: enquanto algumas sofrerão com a seca, outras serão afetadas por chuvas em excesso, comprometendo a produtividade. A confirmação do fenômeno climático é esperada para a primeira ou segunda semana de junho de 2026.
Aumento dos custos de produção
Além dos riscos climáticos, o setor agropecuário enfrenta o aumento dos custos de produção, com destaque para os fertilizantes. A combinação desses fatores pressiona a rentabilidade dos produtores e pode levar a uma redução nos investimentos. Especialistas alertam que a alta nos preços dos insumos, aliada aos efeitos do El Niño, configura um cenário desafiador para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.