Estatal controladora de Angra 1, 2 e 3 pode precisar de aporte do Tesouro Nacional em 2027
A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), responsável pela gestão das usinas nucleares Angra 1 e 2 e pela construção de Angra 3, pode necessitar de aporte financeiro do Tesouro Nacional em 2027. A pressão nas finanças decorre de investimentos para extensão da vida útil de Angra 1 e incertezas sobre a conclusão de Angra 3, conforme consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027.
Contexto financeiro e riscos fiscais
A ENBPar, estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), enfrenta desafios financeiros significativos. A Eletronuclear, subsidiária da ENBPar, demanda investimentos para a extensão da vida útil da Usina Angra 1 e para a conclusão das obras de Angra 3, que ainda não têm um cronograma definido. Segundo o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, a incerteza sobre a conclusão de Angra 3 e o descompasso entre os investimentos necessários e a geração de receitas no longo prazo mantêm o risco fiscal no horizonte analisado. O documento destaca que a materialização desse risco dependerá de decisões de política pública setorial e da capacidade de equacionamento das fontes de financiamento.
Gastos e perspectivas para Angra 3
A Eletronuclear gasta mais de R$ 1 bilhão por ano com a manutenção de Angra 3. Embora a empresa busque alívio financeiro por meio da emissão de debêntures, o presidente interino da Eletronuclear, Alexandre Caporal, alerta que a situação estrutural da estatal precisa ser resolvida para evitar um colapso financeiro. 'Não tem sentido fazer a Eletronuclear sangrar até potencialmente ter um colapso', afirmou Caporal. A ENBPar também controla a participação brasileira na Itaipu Binacional, usina operada em parceria com o Paraguai.