Mercado acionário global pode enfrentar correção significativa com alta contínua dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA
Estrategistas do Morgan Stanley alertam para uma possível correção significativa no mercado de ações caso os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, especialmente o de 10 anos, continuem a subir acima de 4,5%. A alta nos juros reflete temores inflacionários e preocupações fiscais globais, impactando negativamente os mercados.
Contexto e alerta do Morgan Stanley
O mercado acionário global pode estar à beira de uma turbulência caso a recente alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA persista. De acordo com Michael Wilson, Chief Investment Officer (CIO) do Morgan Stanley, um dos principais estrategistas de Wall Street, os rendimentos dos títulos de 10 anos acima de 4,5% historicamente sinalizam más notícias para as ações. Wilson, que tem sido otimista em relação às ações dos EUA por um longo período, destaca que a volatilidade nos títulos, impulsionada pela guerra contínua no Irã e temores inflacionários, representa uma ameaça imediata aos ganhos no mercado de ações. "Se a volatilidade dos títulos aumentar junto com a alta das taxas de longo prazo, esperamos a primeira correção significativa nos preços das ações desde que os mercados atingiram o fundo no final de março", afirmou em nota divulgada nesta segunda-feira.
Perspectivas e riscos para o mercado
O Morgan Stanley recentemente elevou sua meta de preço para o final de 2026, de 7.800 para 8.000 pontos no índice de referência, fundamentando sua perspectiva em uma economia aquecida, rebalanceamento de investimentos de públicos para privados e uma ampliação nos lucros e desempenho das empresas. "Resumindo, essa é uma história de lucros, não de expansão de múltiplos", explicou a instituição. No entanto, a alta contínua nos rendimentos dos títulos pode comprometer esse cenário otimista. Os rendimentos dos títulos de 10 anos dos EUA atingiram 4,6% nesta segunda-feira, o nível mais alto em um ano, enquanto no mercado internacional, o título de 30 anos do Japão alcançou seu maior patamar histórico. "Nas últimas semanas, temos destacado a correlação significativamente negativa (-0,8) entre os retornos das ações e a mudança nos rendimentos dos títulos", escreveu Wilson.