Viticultores do Rio Grande do Sul celebram safra recorde e transformam tragédia em símbolo de resistência
Agricultores da Serra Gaúcha comemoram safra de 905 mil toneladas de uva em 2026, superando perdas históricas causadas por enchentes. Famílias como a Argenta lançam edição especial de vinhos recuperados das inundações, enquanto investem em tecnologia para mitigar impactos climáticos.
Safra emblemática e recuperação pós-tragédia
Os viticultores do Rio Grande do Sul alcançaram uma produção de 905 mil toneladas de uva em 2026, volume considerado acima da média histórica segundo a Emater-RS. A safra inclui uvas de mesa e destinadas à indústria, marcando um momento de recuperação após três anos consecutivos de perdas devido a enchentes e transbordamentos. O produtor Arnaldo Argenta, de Barão (RS), relata prejuízos acumulados de R$ 1,5 milhão entre 2023 e 2025, com máquinas e produção soterradas pela lama em maio de 2024.
Edição especial e resiliência
Como forma de simbolizar a resistência, a família Argenta lançou a 'Edição Inundação', composta por 180 garrafas de vinho recuperadas das enchentes. Cada garrafa é acompanhada por um poema que celebra a força da terra e da água. 'Levaremos cinco anos para voltar ao estágio anterior, mas temos resiliência', afirma Arnaldo Argenta. A iniciativa destaca a capacidade de transformar adversidades em oportunidades comerciais e emocionais.
Tecnologia como aliada contra o clima
Para enfrentar as mudanças climáticas, os agricultores da Serra Gaúcha têm adotado o sistema de cultivo coberto. A técnica protege os frutos da chuva excessiva e variações extremas de temperatura, reduzindo riscos de perdas. O investimento em tecnologia tem sido fundamental para garantir a sustentabilidade da produção vitivinícola na região, mesmo diante de eventos climáticos cada vez mais imprevisíveis.