Romeu Zema defende adoção de modelo de El Salvador com 'encarceramento em massa' para combater crime no Brasil
O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) defendeu a implementação de políticas de segurança pública inspiradas no modelo de El Salvador, incluindo 'encarceramento em massa' e classificação de criminosos como terroristas. Zema destacou a redução de 99% nos homicídios em El Salvador como exemplo de sucesso, mas não mencionou críticas de entidades de direitos humanos sobre prisões arbitrárias.
Medidas defendidas por Zema
Durante seminário promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) em São Paulo, Romeu Zema citou como referências para o Brasil medidas adotadas pelo governo de El Salvador desde 2019. Entre as propostas, destacam-se: a classificação de integrantes de facções criminosas como terroristas, com pena mínima de 25 anos sem benefícios; e o 'encarceramento em massa' de criminosos. Zema afirmou que a política de segurança de El Salvador resultou em uma redução de 99% na taxa de homicídios em quatro anos, algo considerado 'inédito no mundo'.
Contexto e críticas
El Salvador, antes considerado um dos países mais violentos do mundo, implementou um regime de exceção que permitiu detenções sem mandados judiciais. O presidente Nayib Bukele, reeleito em 2024 com 80% dos votos, é símbolo dessa política, que inclui a construção de uma megaprisão com capacidade para 40 mil detentos. No entanto, entidades de direitos humanos estimam que ao menos 21 mil inocentes foram presos durante a implementação dessas medidas. Zema não abordou essas críticas em sua fala.
Posicionamento nas pesquisas
Segundo pesquisa Datafolha, Romeu Zema aparece com 3% das intenções de voto para a Presidência da República em 2026, atrás de Lula (38%) e Flávio Bolsonaro (35%). O pré-candidato também mencionou a visita que realizou a El Salvador no ano passado, acompanhado do secretário de Segurança de Minas Gerais.