Ex-funcionário da Anac alertou sobre reaproveitamento de peças em aviões da Voepass antes de acidente com 62 mortes
A Polícia Federal indiciou 16 pessoas, incluindo pilotos, diretores e o presidente da Voepass, após investigação de dois anos sobre a queda do voo 2283 em Vinhedo (SP). Um ex-funcionário da Anac denunciou à agência o reaproveitamento irregular de peças antes do desastre. A Voepass teria priorizado operações em detrimento da segurança, com omissões sistemáticas.
Investigação da Polícia Federal e indiciamentos
A Polícia Federal concluiu a investigação sobre a queda do voo 2283 da Voepass, ocorrida em 9 de agosto de 2024 em Vinhedo (SP), que resultou na morte de 62 pessoas. Após 728 dias de análises, perícias e depoimentos, 16 indivíduos foram indiciados, incluindo pilotos, funcionários de terra, gerentes, diretores e o presidente da companhia aérea. O delegado Rodrigo Sanfurgo, superintendente da PF em São Paulo, destacou que o objetivo foi entender a dinâmica dos fatos e responsabilizar todos os envolvidos no acidente. Segundo o delegado André Ribeiro, a investigação revelou uma 'cultura de omissões' e uma gestão que priorizava o operacional em detrimento da segurança, com pressões para não reportar problemas.
Condições meteorológicas e falhas técnicas
O voo 2283, que partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), enfrentou uma frente fria com condições severas de formação de gelo. Especialistas alertam que as asas do modelo ATR, com quase 30 metros de envergadura, podem acumular toneladas de gelo, comprometendo a aerodinâmica da aeronave. Diálogos das caixas-pretas, analisados pela PF, mostraram a progressão da crise na cabine. O ex-funcionário da Anac denunciou à agência o reaproveitamento de peças em aviões da Voepass antes do acidente, reforçando indícios de irregularidades na manutenção.