Petróleo despenca abaixo de US$ 100 com expectativa de acordo entre EUA e Irã
Preços do petróleo Brent e WTI registram queda superior a 10% após sinalização de acordo diplomático entre Estados Unidos e Irã. Negociações intermediadas pelo Paquistão podem encerrar conflito no Oriente Médio e reduzir riscos de desabastecimento global.
Queda histórica nos preços
Os preços do petróleo sofreram forte queda nesta quarta-feira (6), refletindo o otimismo do mercado com a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. Por volta das 8h (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 98, com recuo de 11,60%. O WTI, por sua vez, registrava queda de US$ 11,93%, cotado a US$ 89,13. A redução das tensões geopolíticas também impulsionou altas em bolsas de valores globais e queda nos juros de títulos públicos.
Detalhes das negociações
Segundo a agência Reuters, Estados Unidos e Irã estão próximos de fechar um acordo inicial, estruturado em um documento de apenas uma página. A proposta, antecipada pelo site Axios com base em fontes governamentais americanas, inclui 14 pontos e está sendo analisada pelo governo iraniano. A expectativa é que o Irã responda oficialmente nas próximas 48 horas. O Paquistão, que sediou a única rodada de conversas até o momento, em abril, atua como intermediário nas negociações.
Pontos centrais do acordo
Entre as medidas em discussão estão: (1) suspensão temporária do programa nuclear iraniano; (2) redução de sanções econômicas impostas pelos EUA; (3) liberação de recursos financeiros do Irã bloqueados no exterior; e (4) flexibilização das restrições à circulação de navios no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo global. O acordo inicial teria validade de 30 dias, período para negociar um tratado mais abrangente.
Reações do mercado
A perspectiva de um acordo gerou reações imediatas nos mercados. Além da queda nos preços do petróleo, investidores demonstraram otimismo com a redução dos riscos de interrupção no abastecimento de energia. A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) já havia citado a guerra no Irã como um dos fatores de preocupação para a economia global.