Cientistas usam boias, robôs e satélites para monitorar El Niño no Pacífico
Uma rede global de boias ancoradas, robôs submersíveis e satélites é utilizada por cientistas para detectar e prever o fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. O sistema, considerado a 'joia da coroa' da observação climática, foi desenvolvido após o El Niño de 1982-83, que causou prejuízos de US$ 13 bilhões e milhares de mortes por não ter sido previsto a tempo.
Tecnologias utilizadas no monitoramento
O monitoramento do El Niño é realizado por meio de uma combinação de tecnologias avançadas. Boias ancoradas a milhares de metros de profundidade no Oceano Pacífico medem variáveis como temperatura da superfície do mar, vento e temperatura do ar. Robôs submersíveis, do tamanho de extintores de incêndio, complementam as medições em diferentes profundidades. Satélites, por sua vez, detectam variações mínimas no nível do mar, da ordem de poucos centímetros, fornecendo dados essenciais para a previsão do fenômeno. Juntos, esses equipamentos formam um sistema integrado que permite aos cientistas acompanhar em tempo real as condições oceânicas e atmosféricas que indicam a formação do El Niño.
Origem do sistema de monitoramento
A criação dessa rede de monitoramento teve início após o El Niño de 1982-83, considerado um dos eventos mais fortes da era moderna. Na época, o fenômeno não foi detectado nem previsto com antecedência, resultando em uma seca devastadora na Indonésia e na Austrália, além de chuvas torrenciais no Peru e no Equador. Os prejuízos econômicos foram estimados em US$ 13 bilhões, e milhares de pessoas morreram. A falha na detecção levou a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos a desenvolver um sistema permanente de boias ancoradas ao longo da linha do Equador no Pacífico. O primeiro protótipo, instalado em janeiro de 1983, media apenas vento, temperatura do ar e temperatura da superfície do oceano, mas marcou o início de uma evolução tecnológica que resultou na rede atual.