Fóssil de inseto de 100 milhões de anos com garras semelhantes às de caranguejo é descoberto em Mianmar
Pesquisadores identificaram um fóssil de percevejo preservado em âmbar há cerca de 100 milhões de anos, com patas em formato de pinça similares às de caranguejos. A descoberta, feita na região de Kachin, em Mianmar, representa o quarto caso conhecido de insetos com apêndices quelados, estrutura extremamente rara nesse grupo. O espécime pertence à ordem Nepomorpha e tem parentesco com os percevejos-sapo atuais.
Detalhes da descoberta e características do fóssil
O fóssil foi encontrado em âmbar na região de Kachin, Mianmar, e pertence a uma espécie desconhecida de percevejo. Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro registro fóssil de um inseto com patas em formato de pinça, conhecidas como apêndices quelados. Essas estruturas são raras entre insetos e haviam sido identificadas anteriormente apenas em tripes, vespas solitárias e outros percevejos. A zoóloga Carolin Haug, autora do estudo, destacou que o fóssil representa a quarta ocorrência independente desse tipo de evolução em insetos. Para analisar as patas, a equipe comparou imagens tridimensionais do fóssil com mais de duas mil estruturas de preensão de insetos vivos e extintos. A comparação confirmou que o formato das pernas não havia sido registrado em nenhuma espécie conhecida, fóssil ou atual. O inseto pertence ao grupo Heteroptera, dos percevejos verdadeiros, e apresenta características como antenas curtas e uma peça bucal semelhante a um bico, indicando que pode ser da ordem Nepomorpha, grupo dos percevejos-d’água.
Parentesco e relevância científica
Os parentes vivos mais próximos da nova espécie são os Gelastocoridae, conhecidos como percevejos-sapo. Esses insetos possuem aparência verrucosa, algumas espécies conseguem saltar e vivem em ambientes arenosos. A descoberta reforça a diversidade evolutiva dos insetos e oferece novas perspectivas sobre a adaptação de estruturas de preensão ao longo de milhões de anos. Os pesquisadores ressaltam que a evolução independente de apêndices quelados em diferentes grupos de insetos demonstra a complexidade dos processos evolutivos.