Congresso resiste à criação da CPI do Banco Master apesar de pressão pública e eleitoral
Líderes do Congresso Nacional, incluindo presidentes do Senado e da Câmara, demonstram falta de interesse em instalar a CPI do Banco Master, apesar das pressões de oposição e governo. Parlamentares alegam que a comissão poderia atingir diversos políticos e que o calendário eleitoral inviabiliza sua criação. Áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro reacenderam o debate, mas a cúpula do Legislativo sinaliza que a investigação não avançará.
Falta de interesse político e riscos eleitorais
Parlamentares de diferentes espectros políticos admitem reservadamente que a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master não interessa à cúpula do Congresso. Segundo um líder partidário, o discurso em defesa da CPI é mais eleitoreiro do que uma proposta efetiva. 'O discurso fica fácil quando há certeza de que não vai acontecer', afirmou. Um deputado do Centrão foi categórico: 'esquece CPI'. A resistência também parte dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que não demonstram intenção de avançar com a proposta.
Calendário eleitoral e potencial de atingir parlamentares
O calendário eleitoral é apontado como um dos principais entraves para a criação da CPI. Parlamentares destacam que o tempo é curto para instalar e conduzir uma investigação desse porte. Além disso, há o receio de que a comissão possa 'atingir muita gente' no Congresso, segundo um deputado do Centrão. A possibilidade de a CPI investigar figuras influentes torna sua criação ainda mais improvável, independentemente da pressão pública.
Áudios e mensagens reacendem debate, mas sem resultados concretos
A divulgação de áudios e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, reacendeu o debate sobre a necessidade de uma CPI. Flávio Bolsonaro e parlamentares do PL passaram a defender publicamente a abertura da comissão, enquanto partidos aliados ao governo, como o PT, também aumentaram a pressão. No entanto, governistas reconhecem que, para que a CPI seja vantajosa eleitoralmente, ela precisaria ser controlada pela base aliada, com relatoria e presidência de nomes favoráveis ao governo. Até o momento, não há sinalização de que isso ocorrerá.