Governo Lula acusa governadores da oposição de boicotar plano de combate ao crime organizado
O governo federal atribui a demora na implementação de medidas contra o crime organizado à resistência de governadores da oposição, que teriam travado a tramitação da PEC da Segurança Pública. Ações integradas entre União e estados são apontadas como essenciais para enfraquecer organizações criminosas, mas dependem da aprovação da proposta no Senado.
PEC da Segurança Pública parada no Senado
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, considerada fundamental para viabilizar ações coordenadas entre União e estados, está parada no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo assessores do governo, governadores de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina teriam se articulado para barrar o avanço da proposta, alegando que sua aprovação fortaleceria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha presidencial de 2026. A PEC é vista como um instrumento para asfixiar financeiramente organizações criminosas, como o Comando Vermelho, por meio de estratégias integradas.
Divisões internas e críticas à gestão
Embora aliados do governo reconheçam a influência da oposição nos atrasos, também apontam divisões internas na equipe de Lula como um fator que contribuiu para a demora no lançamento de programas de combate ao crime organizado. Uma ala do governo era contrária à participação de governadores estaduais nas ações, o que teria gerado impasses na formulação de políticas públicas. Além disso, o governo é criticado por não ter adotado medidas mais ágeis desde o ano passado, quando já havia condições para iniciar um trabalho conjunto com os estados.
Ações isoladas vs. estratégia integrada
O governo federal destaca que iniciativas isoladas, como as adotadas pelo ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro contra o Comando Vermelho, não são suficientes para resolver a insegurança nos estados. Segundo assessores, a retomada de territórios dominados por facções criminosas e o enfraquecimento dessas organizações dependem de uma estratégia coordenada, que inclua a União e os governos estaduais. A falta de consenso político, no entanto, tem impedido a implementação de um plano nacional eficaz.