Literatura trans contemporânea é acusada de 'tortura porn' em debate sobre seu propósito
Publicação no 4chan viraliza ao afirmar que livros de autores trans 'sacodem os ombros do leitor gritando: NÃO FAÇA ISSO, NÃO VALE A PENA, MINHA VIDA É UM INFERNO'. Lista inclui obras de Casey Plett, Torrey Peters, Imogen Binnie, Alison Rumfitt, Jeanne Thornton, Grace Byron, Davey Davis, Emily Zhou e Katherine Packert Burke. Autores discutem se o objetivo da literatura trans é desencorajar a transição ou explorar novas possibilidades literárias.
A polêmica do 'torture porn' trans
Uma publicação no fórum 4chan ganhou destaque ao resumir a experiência de leitura de livros escritos por autores trans como um alerta desesperado: 'basicamente todo livro trans que li parecia o autor me sacudindo pelos ombros e dizendo: NÃO FAÇA ISSO, NÃO VALE A PENA, MINHA VIDA É UM INFERNO'. A postagem listou obras de autores renomados no gênero, como Casey Plett ('Little Fish'), Torrey Peters ('Infect Your Friends and Loved Ones'), Imogen Binnie ('Nevada'), Alison Rumfitt, Jeanne Thornton, Grace Byron, Davey Davis ('The Earthquake Room'), Emily Zhou e Katherine Packert Burke. A autora Katherine Packert Burke, citada na lista, reconheceu a ironia de ter sido incluída na relação, já que havia escrito um ensaio sobre o mesmo tema em 2022, quando a editora FSG relançou o romance 'Nevada', de Imogen Binnie.
O propósito da literatura trans
Burke questiona o real propósito da literatura trans em seu ensaio. Em 2019, ela descreveu sua experiência ao ler obras do gênero: 'Estava lendo todos os livros que conseguia encontrar escritos por autores trans. Li 'Little Fish' de Casey Plett... 'The Earthquake Room' de Davey Davis... 'Infect Your Friends and Loved Ones' de Torrey Peters. O que mais me marcou foi quantos desses livros são sobre pessoas profundamente infelizes. Quão mal, pensei, vou estragar minha vida?'. A autora admite que, na época, a combinação entre a literatura trans 'assustadora' e as barreiras do sistema de saúde do Alabama (estado conservador dos EUA) a fizeram recuar da ideia de transição. No entanto, Burke enfatiza que o objetivo da literatura trans não é facilitar a transição. 'O ponto da literatura trans é descobrir o que a literatura pode fazer. Estamos apenas começando a fazer as menores marcas nessa questão', afirma. A autora ainda levanta uma pergunta central: 'Se não é para tornar a transição mais fácil, então para que serve? Eu amo esse gênero, dediquei uma prateleira inteira — dupla — do meu apartamento a ele e continuo produzindo mais. Mas para que serve? O que posso apontar para jovens escritores ou leitores trans e dizer: é para isso?'