Estudo inédito revela contaminação por mercúrio em indígenas do Amapá com níveis alarmantes
Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará (Dsei) aponta que metade dos indígenas analisados no município de Oiapoque apresenta níveis de mercúrio iguais ou superiores a 6,0 mg/kg, valor considerado elevado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A contaminação está ligada ao consumo de peixes contaminados por garimpos ilegais e pode causar danos neurológicos, complicações na gestação e sintomas graves de intoxicação.
Detalhes do estudo e resultados
O estudo analisou 192 amostras de cabelo de indígenas das etnias Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kali'na, residentes em Oiapoque, no Amapá. Os resultados revelaram que 50% dos indivíduos apresentam níveis de mercúrio iguais ou superiores a 6,0 mg/kg, limite associado a riscos graves à saúde, como danos neurológicos, complicações durante a gestação e sintomas de intoxicação, incluindo tremores, insônia, perda de memória e alterações motoras. A pesquisa destacou ainda que homens (60% dos casos) apresentam níveis mais elevados em comparação com mulheres (38,37%). Entre mulheres em idade fértil, 31,37% registraram níveis acima do limite seguro, o que representa riscos significativos ao desenvolvimento fetal.
Causas e impactos da contaminação
A contaminação por mercúrio na região está diretamente ligada ao uso do metal em garimpos ilegais, que poluem os rios e contaminam os peixes, base alimentar das comunidades indígenas. O consumo frequente desses peixes ao longo da vida aumenta a exposição ao mercúrio, explicando os índices mais altos entre pessoas acima de 50 anos. Especialistas alertam que a exposição prolongada pode resultar em consequências irreversíveis para a saúde, especialmente em grupos vulneráveis, como gestantes e crianças.