Pesquisadores brasileiros desenvolvem método para extrair terras raras de lâmpadas fluorescentes descartadas
Cientistas do Instituto de Química de Araraquara da Unesp criaram técnica para recuperar terras raras de lâmpadas fluorescentes, materiais essenciais para tecnologias verdes e eletrônicos. O método visa reduzir dependência da China e mitigar impactos ambientais causados pelo descarte inadequado desses resíduos, que contêm mercúrio e metais de alto valor agregado.
Terras raras: importância e desafios
Os elementos terras raras têm se tornado cada vez mais cruciais na corrida tecnológica global, sendo componentes fundamentais em produtos como celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de telecomunicações. Esses metais são considerados estratégicos para o desenvolvimento de tecnologias verdes e de alta performance. No entanto, sua extração enfrenta desafios geológicos, econômicos e ambientais, além de uma forte concentração da cadeia produtiva na China, que domina cerca de 90% do mercado global.
Reciclagem como alternativa sustentável
Diante dos desafios da mineração tradicional, pesquisadores brasileiros têm explorado a reciclagem de resíduos eletroeletrônicos como uma alternativa para recuperar terras raras. Um dos focos são as lâmpadas fluorescentes, que, apesar de estarem em desuso, ainda representam uma fonte significativa desses materiais. Além disso, essas lâmpadas contêm mercúrio, um elemento altamente poluente, o que as torna um passivo ambiental quando descartadas de forma inadequada. Segundo o professor Sidney Ribeiro, do Instituto de Química de Araraquara da Unesp, as lâmpadas fluorescentes possuem cerca de 1% de sua massa composta por terras raras, um percentual relevante considerando que apenas 1% das lâmpadas comercializadas no Brasil são recicladas anualmente.
Processo de extração e potencial econômico
O método desenvolvido pelos pesquisadores da Unesp concentra-se na extração das terras raras presentes no pó branco que recobre a parte interna dos tubos de vidro das lâmpadas fluorescentes. Esse pó contém compostos de terras raras, que podem ser recuperados e reutilizados em novas aplicações tecnológicas. A técnica não apenas contribui para a redução da dependência externa desses materiais, mas também mitiga os riscos ambientais associados ao descarte inadequado de lâmpadas, que liberam mercúrio no meio ambiente. O professor Sidney Ribeiro destacou que a iniciativa busca aliar sustentabilidade e viabilidade econômica, transformando um resíduo perigoso em uma fonte valiosa de matérias-primas críticas.