Vacinas de mRNA contra o câncer avançam além do melanoma
Um estudo de Fase 3 com 1.137 pacientes mostrou que a vacina personalizada de mRNA 'intismeran', quando combinada com a imunoterapia pembrolizumabe, reduziu o risco de retorno ou metástase do melanoma. Embora não seja uma 'vacina universal', a tecnologia de mRNA está sendo testada em diversos outros tipos de câncer, como pâncreas, mama, pulmão, rim e bexiga, apresentando sinais promissores em estágios iniciais de pesquisa.
O que são essas vacinas e por que o melanoma virou o caso mais avançado?
Diferente das vacinas preventivas (como as de gripe ou Covid-19), estas são vacinas terapêuticas, aplicadas após o diagnóstico. Elas são produzidas a partir de amostras do tumor do próprio paciente, que são sequenciadas para identificar mutações específicas (neoantígenos). O melanoma tornou-se o modelo principal porque apresenta muitas mutações, oferecendo mais alvos para o sistema imunológico identificar.
E no câncer de pâncreas?
O câncer de pâncreas é uma área de grande interesse, mas os dados ainda são limitados. Um estudo de Fase 1 com 16 pacientes mostrou respostas robustas de células T, mas o tamanho reduzido da amostra impede a confirmação de eficácia clínica definitiva.
O que já apareceu no câncer de mama?
No câncer de mama triplo-negativo, um estudo de Fase 1 com 14 pacientes mostrou que a maioria teve uma resposta imunológica e permaneceu sem recorrência, mas ainda não há comparação com tratamentos padrão.
E no câncer de pulmão, bexiga e rim?
O câncer de pulmão está em fase de testes de Fase 3 com a parceria entre Moderna e Merck. Já nos cânceres de rim e bexiga, os sinais iniciais são positivos, mas os estudos ainda estão em fases iniciais (Fase 1 e 2).
Por que a vacina costuma ser combinada com imunoterapia?
A vacina atua como um 'amplificador'. Ela ensina o sistema imunológico a reconhecer o tumor, enquanto a imunoterapia remove as barreiras que o câncer cria para escapar do ataque das células de defesa.
Por que o resultado pode variar de um câncer para outro?
As variações dependem da quantidade de mutações disponíveis no tumor específico, da heterogeneidade das células cancerígenas e da capacidade de cada tipo de câncer de 'esconder' suas células do sistema imunológico.
Brasil registra patente de vacinas feitas de mRNA
O Brasil já possui patentes para vacinas baseadas em mRNA, o que é fundamental para o desenvolvimento de tecnologias de saúde localmente.
O que ainda falta provar?
Os principais desafios são: confirmar se a vacina aumenta a sobrevida global dos pacientes, identificar quais pacientes específicos se beneficiam mais e, principalmente, superar os obstáculos de custo e tempo de produção (que pode levar de 60 a 120 dias) para fabricar uma fórmula única para cada indivíduo.