Influenciadores do bem-estar lucram com desinformação sobre cortisol e criam problemas para vender soluções
Influenciadores do setor de bem-estar têm promovido o cortisol como vilão da saúde, associando-o a problemas como insônia e inchaço facial. Médicos alertam que a desinformação gera lucro para quem vende suplementos e tratamentos desnecessários, enquanto condições reais relacionadas ao hormônio são raras e exigem diagnóstico clínico.
Cortisol vira alvo de desinformação nas redes sociais
O cortisol, hormônio vital produzido pelas glândulas suprarrenais, tornou-se o novo 'vilão' nas redes sociais. Influenciadores do bem-estar associam o hormônio a problemas como insônia, ganho de peso e inchaço facial, promovendo suplementos e tratamentos como soluções milagrosas. Segundo a endocrinologista Caroline Messer, diagnósticos reais de desequilíbrio de cortisol são raros e não podem ser feitos com base em vídeos de 30 segundos no Instagram. "Quando alguém diz que sabe que seus níveis de cortisol estão altos porque está estressado, eles estão sempre normais", afirmou Messer.
Indústria do bem-estar lucra com a criação de problemas
A obsessão pelo cortisol faz parte de uma tendência maior no setor de bem-estar, onde a otimização da saúde é tratada como um produto de luxo. A desconfiança na medicina tradicional e a busca por soluções rápidas alimentam o mercado de influenciadores, que transformam questões comuns em problemas médicos para vender produtos. Bryan Johnson, que gasta US$ 2 milhões anuais em protocolos de longevidade, revelou que muitas das melhores práticas para uma vida saudável são gratuitas, como sono adequado e alimentação balanceada, mas isso não impede a venda de soluções caras e desnecessárias.