Economistas defendem que IA pode impulsionar crescimento de empregos, não apenas demissões
Um grupo crescente de economistas, liderado por Torsten Slok da Apollo Global Management, argumenta que a inteligência artificial (IA) pode expandir o mercado de trabalho e aumentar salários, contrariando o receio de que a tecnologia substituiria postos de trabalho. Slok cita o paradoxo de Jevons, onde a redução de custos trabalhistas amplia a demanda por mão de obra, como exemplo do potencial positivo da IA.
O paradoxo de Jevons e o exemplo da radiologia
Torsten Slok, economista-chefe da Apollo Global Management, baseia sua defesa na teoria do paradoxo de Jevons, que sugere que a redução de custos em uma atividade específica — como a leitura de exames médicos — aumenta a demanda por essa tarefa, expandindo o mercado e, consequentemente, o número de empregos. Slok destaca o setor de radiologia como exemplo: há uma década, previa-se que a IA eliminaria a profissão, mas hoje radiologistas ganham mais de US$ 500 mil anuais, e o número de profissionais cresceu. "Ler exames é uma tarefa, não um emprego, e quando a tarefa fica mais barata, a demanda pelo emprego aumenta", escreveu Slok em um de seus cinco posts recentes sobre o tema.
Comparação histórica com a entrada da China na OMC
Slok também traça um paralelo com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) no início dos anos 2000, um evento que gerou temores de desemprego massivo nos EUA devido à competição com a manufatura chinesa. No entanto, a taxa de desemprego permaneceu baixa, e os ganhos de produtividade não resultaram em uma crise trabalhista. Para Slok, a IA representa uma ameaça semelhante aos empregos de colarinho branco, mas com potencial para seguir o mesmo padrão de expansão do mercado, como ocorreu com a radiologia.