Historiadores acusam comissão da Câmara de censurar livro sobre Independência do Brasil
Um grupo de historiadores denuncia a imposição de vetos e mudanças de termos em uma obra sobre a história do país. A Câmara dos Deputados afirma que a publicação não está prevista devido a ajustes editoriais e mudanças de prioridades.
Controvérsia sobre conteúdo e termos
Os organizadores da obra, André Roberto de A. Machado, Andréa Slemian e Cláudia M. G. Chaves, denunciam que a comissão responsável pelas comemorações dos 200 anos do Congresso Nacional exigiu a substituição da expressão 'ditadura militar' por 'regime militar'. Além disso, foram solicitadas a retirada ou alteração de trechos sobre povos indígenas, direitos, o marco temporal, referências ao Haiti e ao samba-enredo da Mangueira de 2019.
Trechos específicos e justificativas da Câmara
No conteúdo sobre povos indígenas, a comissão solicitou a supressão da classificação do marco temporal como uma 'aberração jurídica' e da frase que afirmava que os direitos constitucionais dos indígenas são 'vergonhosamente negados pelo Estado brasileiro'. A Câmara dos Deputados informou que a obra foi apresentada por iniciativa externa e que os ajustes ocorreram durante a análise editorial. A Casa afirmou que o envio de propostas não implica compromisso de publicação e que a coletânea não está prevista para publicação devido ao fim das comemorações do Bicentenário e às atuais prioridades editoriais.