Sonhos e visões no fim da vida: ciência investiga relatos de encontros com entes queridos já falecidos
Estudos recentes revelam que sonhos e visões vívidas no fim da vida, conhecidos como ELDVs (End-of-Life Dreams and Visions), são relatados por cerca de 90% dos pacientes em cuidados paliativos. Essas experiências, muitas vezes envolvendo encontros com familiares já falecidos, são descritas como mais reais do que sonhos comuns e trazem sensação de paz e reconciliação. Pesquisadores destacam que tais fenômenos não podem ser explicados apenas por delírio ou efeitos de medicamentos.
O que são as ELDVs?
As ELDVs (End-of-Life Dreams and Visions) são experiências relatadas por pacientes em fase terminal, caracterizadas por sonhos ou visões extremamente vívidos e emocionalmente significativos. Diferentemente de sonhos comuns, essas experiências são descritas como reais e reconfortantes, frequentemente envolvendo encontros com entes queridos já falecidos, como no caso de Florence, que relatou jantar com seu marido e filha mortos anos antes. Segundo o neurobiólogo Christopher Kerr, que estuda o tema desde os anos 1990, essas visões não são acompanhadas de medo, mas sim de uma profunda sensação de tranquilidade e aceitação.
Prevalência e impacto emocional
Um estudo conduzido por Kerr e sua equipe, que acompanhou mais de 1.400 pacientes em unidades de cuidados paliativos, revelou que cerca de 90% dos entrevistados relataram ter vivenciado ELDVs. Essas experiências são comuns em diferentes culturas e contextos, sugerindo um fenômeno universal. Para muitos pacientes, as visões trazem alívio emocional, ajudando a lidar com o medo da morte e a encontrar paz. Familiares também relatam que essas experiências facilitam o processo de luto, ao proporcionarem uma sensação de conexão contínua com o ente querido.
Explicações científicas e limitações
Embora as ELDVs tenham sido historicamente atribuídas a delírio, confusão mental ou efeitos colaterais de medicamentos, pesquisas recentes indicam que essas explicações são insuficientes. Estudos sugerem que tais experiências podem estar relacionadas a alterações neuroquímicas e na atividade cerebral durante o processo de morte, como a liberação de neurotransmissores associados à memória e emoções. No entanto, a ciência ainda não oferece uma explicação definitiva para o fenômeno, que permanece como um campo de estudo em aberto na neurobiologia e nos cuidados paliativos.