EUA realizam sobrevoo com bombardeiros nucleares sobre o Irã; Guarda Revolucionária ameaça empresas americanas
Estados Unidos sobrevoaram o Irã com bombardeiros B-52 pela primeira vez desde o início da guerra. A Guarda Revolucionária do Irã declarou que atacará empresas americanas no Oriente Médio em retaliação.
Ações Militares e Ameaças
Os Estados Unidos realizaram um sobrevoo sem precedentes sobre o Irã utilizando bombardeiros B-52, aeronaves com capacidade nuclear consideradas a "espinha dorsal" da força estratégica americana. A ação, divulgada pelo The New York Times, sugere um enfraquecimento das defesas iranianas, uma vez que estes bombardeiros são mais vulneráveis a sistemas antiaéreos. O General Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, indicou que os B-52 serão empregados para bombardear cadeias de suprimentos de mísseis, drones e navios iranianos, com o objetivo de impedir a reposição de munições utilizadas na guerra. Paralelamente, a Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado ameaçando atacar empresas americanas no Oriente Médio. Dezoito organizações foram listadas como alvos, com possíveis bombardeios a partir de quarta-feira (1º). A Guarda Revolucionária afirmou ter bombardeado duas instalações militares dos EUA nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein, embora não haja confirmação americana. O Irã também alegou ter atingido um petroleiro carregado do Kuwait em Dubai e instalações militares israelenses, incluindo centros de comando, hangares e depósitos de armas. O ex-ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, denunciou que ataques israelenses e americanos atingiram uma fábrica de medicamentos contra o câncer no país.
Plano de Paz e Negociações
Em meio à escalada de tensões, China e Paquistão propuseram um plano de cinco pontos para encerrar a guerra, incluindo um cessar-fogo imediato e a restauração da passagem normalizada pelo Estreito de Ormuz. O plano prevê negociações de paz, o fim de ataques a civis e alvos não militares, e a retomada da navegação comercial. A Rússia acusou os EUA e Israel de incitarem países árabes contra o Irã, buscando impedir a normalização das relações e manter a escalada do conflito. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que está disposto a encerrar a guerra mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça fechado, e instou países europeus a buscarem seu próprio petróleo e a tomarem o controle do estreito. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que mais da metade dos objetivos militares da guerra já foram alcançados. A Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano aprovou uma proposta de cobrança de pedágio para embarcações no Estreito de Ormuz, com restrições a navios de países considerados adversários.
Posição Brasileira e Perspectivas Internacionais
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu a posição do governo brasileiro em condenar a guerra e expressou apreciação pela solidariedade do povo brasileiro. Ele declarou que fertilizantes comprados pelo Brasil de empresas iranianas não terão problemas de exportação, apesar de sanções comerciais ao Irã. A Rússia reiterou seu pedido pelo fim imediato da agressão e se ofereceu como mediadora. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que o Irã participará da Copa do Mundo, com jogos agendados nos Estados Unidos conforme o sorteio. Países do Golfo Pérsico, liderados por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, estariam incentivando Trump a continuar a guerra até a derrota definitiva do Irã, buscando mudanças significativas na liderança iraniana ou uma transformação drástica no comportamento do país. As tensões também se estendem a outras rotas marítimas, com o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho, correndo risco de bloqueio pelos houthis, aliados do Irã.