Imagens de satélite revelam impacto do El Niño na vida marinha no Pacífico
Dados da NASA comparam a concentração de clorofila no Pacífico equatorial entre 2025 e 2026, evidenciando a redução de fitoplâncton devido ao fortalecimento do El Niño. A diminuição de nutrientes na superfície do mar compromete a base da cadeia alimentar marinha e impacta a pesca costeira.
Monitoramento via satélite e redução de fitoplâncton
Imagens de satélite produzidas a partir de dados do instrumento OCI, no satélite PACE da NASA, compararam a concentração de clorofila no Pacífico equatorial entre junho de 2025 (condições neutras) e junho de 2026 (fortalecimento do El Niño). A redução significativa de clorofila no Pacífico central, próximo à Linha do Equador e ao norte da Nova Zelândia, indica uma menor presença de fitoplâncton, organismos microscópicos que sustentam a cadeia alimentar marinha. O fenômeno do El Niño enfraquece os ventos de leste para oeste, reduzindo a subida de águas profundas ricas em nutrientes para a superfície, o que limita o crescimento do fitoplâncton.
Impactos na cadeia alimentar e economia local
A redução de fitoplâncton impacta diretamente o zooplâncton e, consequentemente, peixes, aves e mamíferos marinhos. No Peru, episódios anteriores de El Niño causaram quedas acentuadas na pesca de anchoveta devido ao aquecimento das águas e à escassez de nutrientes. Em decorrência disso, o Ministério da Produção do Peru suspendeu repetidamente a pesca de anchoveta em áreas específicas para proteger os estoques. O fenômeno também provocou o deslocamento de pelicanos para zonas urbanas em busca de alimento.