Presidente da Bolívia reduz salário em 50% e de ministros em meio a crise política e econômica
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta segunda-feira (25) um corte de 50% em seu salário e no dos ministros como medida de 'compromisso com o país'. A decisão ocorre durante a quarta semana de protestos que agravam a crise de abastecimento em La Paz e El Alto, com falta de alimentos, combustíveis e medicamentos. A inflação atingiu 14% em abril, e manifestantes acusam o governo de ignorar suas reivindicações.
Contexto da crise
A Bolívia enfrenta a pior crise econômica em 40 anos, marcada pela escassez de dólares. Nas últimas três semanas, manifestantes bloquearam rodovias que dão acesso a La Paz, resultando em desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis. A inflação alcançou 14% em abril na comparação anual. Os protestos são liderados por grupos que rejeitam as reformas propostas pelo governo de Rodrigo Paz, eleito há seis meses. O ex-presidente Evo Morales, atualmente foragido e procurado por suposto tráfico de uma menor, pediu novas eleições em até 90 dias e acusou o governo de desestabilização.
Reações e acusações
O governo boliviano denunciou as manifestações à Organização dos Estados Americanos (OEA), classificando-as como uma tentativa de 'desestabilizar a ordem democrática'. Paz, por sua vez, acusou Evo Morales de estar por trás dos protestos. Morales, em resposta, afirmou que a pacificação do país depende da renúncia de Paz e da convocação de um 'presidente de transição' para organizar eleições no prazo de 90 dias.