Brasil em Alerta: Sarampo Volta a Preocupar com Casos Importados e Cobertura Vacinal Abaixo da Meta
Registros recentes de sarampo importado e cobertura vacinal abaixo da meta de 95% para a tríplice viral acendem o alerta de profissionais de saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para o risco de reintrodução da doença no país. Estados Unidos, México e Canadá registram a maior parte dos casos nas Américas, com a próxima Copa do Mundo em junho de 2026 apresentando um fator de risco adicional devido à estimativa de 7 milhões de pessoas em circulação.
Contexto e Risco de Reintrodução
Em 2025, foram registrados 38 casos de sarampo no Brasil, todos importados. Em 2026, até a segunda semana de abril, já foram confirmados dois casos importados. Estes números evidenciam o risco de um retrocesso, similar ao de 2019, quando o certificado de eliminação da doença obtido em 2016 foi revogado após 12 meses de transmissão sustentada no território nacional. A reintrodução do vírus em 2019 foi atribuída à combinação de baixas coberturas vacinais em bolsões de não vacinados e à entrada de pessoas não imunizadas do exterior.
Cobertura Vacinal e Comparativo Regional
Embora os índices de vacinação tenham evoluído significativamente desde o auge da pandemia de Covid-19 em 2020 e 2021, o Brasil ainda não atingiu a meta de 95% para as duas doses da vacina tríplice viral. Esta defasagem torna o país suscetível à doença, especialmente em um contexto de alta circulação do vírus em países vizinhos. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reportou 15.922 casos de sarampo nas Américas entre 2025 e a segunda semana de 2026, um aumento de 32 vezes em relação a 2024. Os Estados Unidos lideram com 15.084 casos, seguidos por México e Canadá. A Bolívia, origem dos casos recentes no Brasil, ocupa a quarta posição.
Estratégias de Prevenção
Para evitar surtos e a perda do status de país livre do sarampo, é crucial atuar em três frentes: aumento da vacinação, incluindo a busca por adultos com esquemas irregulares; fortalecimento da vigilância epidemiológica; e resposta rápida a casos suspeitos. A Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá em junho nos Estados Unidos, México e Canadá e estima receber 7 milhões de pessoas, incluindo milhares de brasileiros, representa um fator adicional de atenção nesse cenário.