Milei associa queda de natalidade à lei de aborto na Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou em um discurso que a lei de aborto no país contribui para a queda da taxa de natalidade, alegando que a 'paixão por assassinar crianças' prejudica o crescimento demográfico da nação. No entanto, dados do Ministério da Saúde da Argentina indicam que a queda nos nascimentos começou em 2014, muito antes da legalização do aborto em 2021. Relatórios internacionais apontam que fatores como insegurança no emprego, dificuldades de acesso à moradia e limitações financeiras são as causas principais para a redução da fecundidade no país.
Declarações do Presidente
Durante a abertura da conferência do Conselho das Américas em Buenos Aires, Javier Milei afirmou que a Argentina não atinge uma taxa de natalidade que permita a reposição populacional. Ele utilizou termos fortes para criticar a legislação de aborto, embora não tenha apresentado propostas legislativas para revogar a lei vigente.
Contexto Demográfico
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) aponta que a Argentina enfrenta uma transformação demográfica profunda, com a taxa de fecundidade caindo para 1,2 filhos por mulher em 2024. O estudo destaca que a maioria das pessoas que decidiram ter menos filhos do que o desejado o fez devido a barreiras econômicas e falta de infraestrutura de cuidado infantil.
Legislação e Saúde
A Argentina tornou-se o maior país da América Latina a legalizar o aborto em 2021. Enquanto o governo de Milei tem sido criticado por desmantelar programas de saúde sexual e reprodutiva em nome da austeridade, o debate sobre a relação entre políticas de saúde e demografia continua polarizado.