EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas; especialistas alertam para riscos à soberania brasileira
Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Especialistas em segurança pública, no entanto, afirmam que a medida não trará impactos práticos no combate ao crime organizado no Brasil e pode representar riscos à soberania nacional. A decisão é vista como uma estratégia interna dos EUA, com possíveis implicações políticas e eleitorais no Brasil.
Medida não aumenta segurança, diz especialista
O professor Luis Flávio Sapori, da PUC Minas e membro associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que a classificação das facções como organizações terroristas pelos EUA não intimidará o PCC e o CV nem melhorará a segurança da população brasileira. Segundo Sapori, a medida não terá efeitos práticos no curto ou médio prazo, já que as facções continuarão suas atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. "Não vai mudar nada a curto prazo, a médio prazo. Essas organizações continuarão a fazer seus negócios escusos", declarou ao Conexão GloboNews.
Riscos à soberania nacional
Sapori alertou que a decisão dos EUA pode representar uma ameaça à soberania brasileira, além de não contribuir para o enfrentamento ao crime organizado. "Na prática, essa medida não vai melhorar o enfrentamento ao crime organizado no Brasil, ela coloca em risco a soberania nacional. É uma forma de intervir na eleição brasileira, um segmento que quer fazer campanha eleitoral", afirmou. O especialista também destacou que a cooperação técnica com os EUA, como o controle do tráfico de armas, não foi abordada na medida.
Contexto político e reações
A classificação das facções como terroristas ocorreu após pressão de aliados do ex-presidente Donald Trump, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência em 2026. Segundo apuração do blog da Julia Duailibi, Flávio Bolsonaro teria afirmado a Trump que o governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seria conivente com organizações criminosas e que essas facções mantêm conexões com grupos terroristas internacionais. Trump teria reagido com surpresa, questionando se o Brasil ainda mantinha controle sobre seu próprio território.