92% dos cientistas em Portugal admitem práticas questionáveis de pesquisa, aponta estudo
Levantamento com 1.573 pesquisadores em universidades portuguesas revela que 92% admitiram ter incorrido em práticas questionáveis de pesquisa pelo menos uma vez. Entre os deslizes mais comuns estão inclusão indevida de autores, citações sem consulta à fonte primária e formulação de hipóteses pós-resultados. Pesquisadores mais jovens e prolíficos são os que mais relatam essas condutas.
Principais práticas questionáveis identificadas
O estudo publicado na revista PLOS ONE destacou que as práticas mais frequentes entre os cientistas incluem: incluir autores que não contribuíram suficientemente para a pesquisa (61%), citar artigos sem consultar a fonte primária (58%), não realizar revisão bibliográfica completa (55%), formular hipóteses após conhecer os resultados (52%) e citar publicações apenas por seu reconhecimento prévio na comunidade científica (49%). Práticas menos relatadas, mas ainda preocupantes, envolveram o uso de ideias alheias sem crédito (12%) e a omissão de conflitos de interesse (9%).
Perfil dos pesquisadores e fatores contribuintes
Não houve diferenças significativas nas práticas questionáveis entre áreas de pesquisa ou gênero. No entanto, pesquisadores mais jovens e aqueles com maior volume de publicações foram os que mais admitiram incorrer em desvios éticos. Os autores do estudo, liderados por Marta Entradas, sugerem que a pressão por publicações, aliada a contratos temporários de trabalho, pode estar contribuindo para esse cenário. A falta de códigos de conduta claros também foi apontada como um fator que dificulta a distinção entre condutas aceitáveis e inaceitáveis.