Medicamentos para diabetes e obesidade podem reduzir risco de morte e recorrência de câncer de mama, aponta estudo nos EUA
Estudo observacional realizado nos Estados Unidos com mais de 841 mil pacientes indica que mulheres com câncer de mama que utilizaram agonistas do receptor de GLP-1, classe de medicamentos para diabetes tipo 2 e obesidade, apresentaram redução de até 60% na mortalidade por todas as causas em cinco e dez anos. A pesquisa também sugere menor risco de recorrência da doença, mas destaca necessidade de ensaios clínicos randomizados para confirmar causalidade.
Detalhes do estudo e metodologia
A pesquisa analisou dados de 841 mil pacientes com câncer de mama atendidas em 68 organizações de saúde dos EUA entre 2006 e 2023. Os grupos comparados incluíram mulheres que utilizaram agonistas de GLP-1, como semaglutida e liraglutida, e aquelas que não usaram esses medicamentos ou receberam outros tratamentos para diabetes, como insulina ou metformina. O estudo ajustou variáveis como idade, etnia, estágio do câncer e comorbidades para minimizar vieses.
Resultados e implicações clínicas
Os resultados mostraram que a mortalidade por todas as causas foi aproximadamente 60% menor em cinco e dez anos entre usuárias de GLP-1 RA em comparação com não usuárias. Quando comparadas a pacientes que utilizavam insulina ou metformina, a redução da mortalidade foi ainda mais significativa. Os autores destacam que obesidade e diabetes estão associados a pior prognóstico no câncer de mama, e estudos pré-clínicos já sugeriam que esses medicamentos poderiam inibir o crescimento tumoral. No entanto, por ser um estudo observacional, os achados indicam associações, não causalidade, e os pesquisadores recomendam ensaios clínicos randomizados para validação.
Próximos passos e limitações
Os autores do estudo defendem a realização de ensaios clínicos randomizados para confirmar se os agonistas de GLP-1 têm efeito direto na redução da mortalidade e recorrência do câncer de mama. Entre as limitações do estudo, está a ausência de dados sobre adesão ao tratamento e possíveis fatores confundidores não ajustados. Além disso, a pesquisa não diferenciou os tipos de câncer de mama, o que pode influenciar os resultados.