Colômbia reconhece soberania do Marrocos sobre Saara Ocidental e rompe com política anterior
O governo da Colômbia, sob a presidência de Abelardo de la Espriella, anunciou o reconhecimento da soberania do Marrocos sobre o Saara Ocidental, revertendo a política externa adotada durante o mandato de Gustavo Petro. A decisão foi comunicada horas após a posse do novo presidente e visa fortalecer laços políticos e econômicos com Rabat, incluindo negociações para um Tratado de Livre Comércio (TLC).
Mudança diplomática e contexto geopolítico
A Colômbia oficializou na sexta-feira (07/08) o reconhecimento da soberania do Marrocos sobre o Saara Ocidental, marcando uma ruptura com a política externa do governo anterior de Gustavo Petro. Em 2022, Petro havia restabelecido relações diplomáticas com a República Árabe Saaraui Democrática (RASD), interrompidas desde 2001. A decisão foi anunciada durante reunião entre o vice-presidente colombiano, José Manuel Restrepo, o ministro das Relações Exteriores, Omar Bula Escobar, e o chanceler marroquino, Naser Bourita, em Cali. Segundo a chancelaria colombiana, a medida busca 'revitalizar' as relações bilaterais com uma 'visão de longo prazo'.
Implicações regionais e alinhamento com EUA
O reconhecimento colombiano ocorre em um contexto de tensões geopolíticas, incluindo a construção de uma base militar marroquina em Gaza, liderada pelo genro de Donald Trump, e a crise migratória em Ceuta. A decisão alinha Bogotá à posição de Rabat e Washington, que apoiam a soberania marroquina. Nos EUA, parlamentares tentam classificar a Frente Polisário, grupo que luta pela independência do Saara Ocidental, como organização terrorista. O vice-presidente Restrepo destacou a intenção de ampliar a cooperação econômica, incluindo negociações para um Tratado de Livre Comércio (TLC) entre os dois países.