Bolívia entra na quarta semana de protestos com bloqueios e pressão pela renúncia do presidente Rodrigo Paz
A Bolívia completa a quarta semana de mobilizações contra o governo de Rodrigo Paz Pereira, com protestos massivos em La Paz e bloqueios de estradas em seis regiões do país. Agricultores, mineiros, moradores de El Alto e sindicatos exigem a renúncia do presidente e rejeitam seu plano de privatização. Um agricultor de 24 anos morreu durante confrontos com a polícia, intensificando a crise política.
Protestos e bloqueios em La Paz
Manifestantes ocuparam o Paseo del Prado, no centro de La Paz, em uma mobilização convocada pela Central Operária Boliviana (COB). Agricultores da zona sul, moradores de El Alto, mineiros e representantes de sindicatos participaram dos atos, que também incluíram tentativas de invasão da Praça Murillo, sede do governo. A polícia reprimiu os manifestantes que tentavam acessar a praça, enquanto bloqueios de ruas e escassez de combustível agravaram a situação na capital. No Aeroporto Internacional de El Alto, grupos impediram a entrada e saída de passageiros e encomendas.
Morte e condições para diálogo
Durante uma operação para desbloquear estradas na rota entre La Paz e Oruro, um agricultor de 24 anos foi morto, aumentando a tensão entre os manifestantes. A COB condicionou o diálogo com o governo à libertação de detidos nos confrontos e à suspensão do mandado de prisão contra seu líder, Mario Argollo, e outros dirigentes sindicais. O presidente Rodrigo Paz Pereira, no entanto, não respondeu à proposta. Paz já havia afirmado anteriormente que não renunciaria, apesar da pressão popular.
Crise nacional e impactos econômicos
Além dos protestos em La Paz, mais de 50 bloqueios de estradas foram registrados em seis regiões do país, afetando o transporte e a distribuição de alimentos e combustíveis. A escassez de gasolina e diesel agravou a crise, com filas nos postos e restrições ao abastecimento. A resistência dos povos aimarás nas terras altas impediu que as forças de segurança reabrissem as vias, forçando-as a recuar. A instabilidade política e social ameaça aprofundar a crise econômica na Bolívia.