Preço do querosene de aviação dispara e pressiona custos das aéreas nos EUA em 2026
O preço do querosene de aviação (jet fuel) subiu mais rapidamente que o petróleo bruto desde o início da guerra no Irã, impactando diretamente os custos operacionais das principais companhias aéreas dos EUA. Executivos de Delta, United, American e Southwest Airlines detalham estratégias para mitigar perdas, incluindo redução de capacidade, aumento de tarifas e taxas adicionais.
Impacto nos custos e estratégias das aéreas
Desde o início da guerra no Irã, em fevereiro de 2026, o preço do petróleo Brent registrou alta de 41%, alcançando US$ 107 por barril. No entanto, o querosene de aviação apresentou aumento ainda mais acelerado, representando o segundo maior custo das companhias aéreas, atrás apenas de mão de obra. Diferentemente das aéreas europeias, as norte-americanas não utilizam derivativos financeiros para hedge contra a volatilidade dos preços de combustível. Durante os resultados do primeiro trimestre de 2026, as quatro maiores companhias aéreas dos EUA revelaram o impacto dos custos elevados e as medidas adotadas: - **Delta Air Lines**: Registrou aumento de US$ 332 milhões nos gastos com combustível em comparação ao mesmo período de 2025. A empresa, que possui uma refinaria própria na Pensilvânia, espera economizar US$ 300 milhões no próximo trimestre devido à integração vertical. O CEO Ed Bastian anunciou redução significativa de capacidade e esforços para "recuperar" os custos adicionais por meio de ajustes tarifários. Bastian destacou que a base de clientes da Delta tem demonstrado resiliência diante da incerteza macroeconômica e geopolítica. - **United Airlines**: O CEO Scott Kirby foi explícito ao afirmar que os custos mais altos com combustível serão repassados aos passageiros. A empresa também está revisando sua capacidade operacional para equilibrar a oferta e a demanda. - **American Airlines e Southwest Airlines**: Ambas as companhias seguem estratégias semelhantes, com foco em redução de rotas menos lucrativas e aumento de taxas, como bagagem, para compensar o impacto financeiro.
Perspectivas para o segundo trimestre
Analistas preveem que os resultados do segundo trimestre de 2026 devem refletir aumentos ainda mais expressivos nos custos com combustível, à medida que os efeitos da guerra no Irã e do bloqueio no Estreito de Ormuz se intensificam. A expectativa é de que as aéreas continuem ajustando suas operações, priorizando rotas mais rentáveis e implementando medidas para proteger suas margens de lucro. A pressão sobre os preços das passagens e taxas adicionais deve persistir, impactando diretamente os consumidores.