Estudo japonês alertou Venezuela há 21 anos sobre risco de terremoto com milhares de mortos; medidas não foram implementadas
Relatório da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), entregue em 2005, recomendava reforço em 180 mil edifícios e sistemas de alerta precoce para evitar tragédias como a registrada em junho de 2026. Tremores deixaram 3,5 mil mortos, 16 mil feridos e 190 edifícios desabados no norte do país.
Recomendações ignoradas
Um estudo elaborado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e entregue ao governo venezuelano em 2005 previa medidas urgentes para mitigar os impactos de terremotos na região metropolitana de Caracas. O relatório, encomendado pelo próprio governo de Hugo Chávez, identificou 180 mil edifícios vulneráveis e propôs sete projetos prioritários, incluindo o reforço estrutural dessas construções, a instalação de sistemas de alerta precoce e o reassentamento de comunidades em áreas de alto risco. O custo estimado para a implementação das medidas era de US$ 2,8 bilhões ao longo de 16 anos, com US$ 2,6 bilhões destinados exclusivamente ao reforço dos edifícios.
Tragédia anunciada
Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho de 2026 confirmaram os piores cenários previstos no relatório japonês. Até 6 de julho, o governo venezuelano registrou 3,5 mil mortos, 16 mil feridos e 190 edifícios desabados. Equipes de resgate ainda buscam centenas de desaparecidos. O documento da JICA também alertava para o risco de deslizamentos de terra e propunha a construção de barragens para conter fluxos de lama e pedras, além da criação de um centro de comando para emergências.