Desmatamento no Cerrado mineiro dispara 92% em sete meses e supera área de Belo Horizonte
O desmatamento no Cerrado de Minas Gerais registrou aumento de 92% entre agosto de 2025 e março de 2026, segundo dados do Inpe. A área devastada, de 342 km², é maior que a de Belo Horizonte. O bioma, essencial para o abastecimento hídrico do país, enfrenta pressão crescente com menos de 10% de sua área protegida oficialmente. Especialistas alertam para riscos à regeneração natural e à biodiversidade.
Dados alarmantes e comparação histórica
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou que o Cerrado em Minas Gerais perdeu 342 km² de vegetação nativa entre agosto de 2025 e março de 2026. O número representa um aumento de 92% em relação ao mesmo período do ano anterior (2024-2025). A área desmatada equivale a mais que o território da capital mineira, Belo Horizonte. O sistema de detecção em tempo real do Inpe foi utilizado para o levantamento, que aponta uma aceleração preocupante na devastação do bioma.
Impactos ambientais e hídricos
Conhecido como a 'caixa d’água do Brasil', o Cerrado abastece oito das 12 bacias hidrográficas do país. Suas raízes profundas são responsáveis por manter o fluxo dos lençóis freáticos, mesmo em períodos de seca. A bióloga e botânica Fernanda Raggi destaca que a preservação do bioma é essencial para o equilíbrio hídrico. No entanto, menos de 10% da área total do Cerrado é oficialmente protegida, o que agrava os riscos de perda de biodiversidade e comprometimento dos recursos hídricos.
Espécies ameaçadas e regeneração em risco
Entre as espécies ameaçadas pelo desmatamento está o faveiro-de-Wilson (Dimorphandra wilsonii), com apenas cerca de 400 indivíduos registrados em Minas Gerais, muitos fora de áreas protegidas. O pesquisador do Inpe Argemiro Teixeira alerta que o nível de desmatamento proporcionalmente maior no Cerrado levanta hipóteses científicas de que o bioma pode não conseguir se regenerar completamente. A perda de vegetação nativa já atinge quase metade do Cerrado, comprometendo sua capacidade de recuperação natural.
Fiscalização e alternativas econômicas
A preservação do Cerrado é apontada como uma alternativa econômica viável, mas enfrenta desafios de fiscalização e políticas públicas. Especialistas defendem a necessidade de ações mais efetivas por parte do estado para conter o avanço do desmatamento. Além disso, a pressão sobre o bioma afeta diretamente a produção agrícola e o clima regional, reforçando a urgência de medidas de proteção e recuperação.