Enhanced Games: Olimpíadas do doping começam em Las Vegas com promessas de recordes e riscos à saúde
A primeira edição dos Enhanced Games, evento esportivo que permite o uso de substâncias para melhorar o desempenho, começou em Las Vegas. Com prêmios de US$ 1 milhão para recordes quebrados, o evento atrai atletas como James Magnussen e Fred Kerley, mas é condenado pelo Comitê Olímpico Internacional. Especialistas alertam para riscos à saúde e questionam a ética do 'aprimoramento' induzido por drogas.
O que são os Enhanced Games?
Os Enhanced Games, ou 'Jogos Melhorados', são um evento esportivo realizado em Las Vegas que permite o uso de substâncias para melhorar o desempenho (PEDs, na sigla em inglês) sob supervisão médica. Quarenta e dois atletas competem em modalidades como natação, corrida de velocidade, levantamento de peso e strongman. Os organizadores prometem recompensas de US$ 1 milhão para quem quebrar recordes mundiais estabelecidos por atletas submetidos a testes antidoping. Entre os participantes estão nomes como o ex-campeão mundial australiano dos 100 metros livre James Magnussen, o campeão mundial de 2022 dos 100 metros dos EUA Fred Kerley e o britânico Ben Proud, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Paris nos 50 metros livre.
Substâncias permitidas e supervisão médica
Os atletas dos Enhanced Games podem utilizar substâncias aprovadas pela FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA), como testosterona, hormônio do crescimento humano e eritropoietina (EPO). O evento propõe uma estrutura de supervisão médica que inclui exames pré-competição e avaliação do perfil de saúde dos participantes. No entanto, o Comitê Olímpico Internacional (COI) condenou o evento, classificando-o como uma ameaça ao conceito de fair play e uma iniciativa 'idiota'.
Riscos à saúde e debates éticos
Especialistas alertam para os riscos à saúde associados ao uso de PEDs, mesmo sob supervisão médica. Além disso, o evento levanta debates éticos sobre a liberdade dos atletas em escolher o que fazer com seus corpos e a normalização do doping como 'evolução inevitável do esporte'. Os organizadores argumentam que muitos atletas já utilizam substâncias para melhorar o desempenho e que o envelhecimento pode ser tratado como uma 'doença' superável com o uso de PEDs. No entanto, críticos apontam que a competição pode incentivar o uso indiscriminado de drogas, colocando em risco a integridade física dos atletas e a credibilidade do esporte.