Condenado por homicídio afirma ter reuniões com governador do Maranhão e sobrinho no Palácio dos Leões
Gilbson Júnior, condenado por assassinato em 2022, relatou em depoimento à Polícia Federal que possuía vaga fixa no Palácio dos Leões e mantinha reuniões com o governador Carlos Brandão e Daniel Brandão. O depoimento, agora sob análise do STF, detalha um suposto esquema de divisão de propinas e pagamentos para silenciamento.
Relatos de proximidade e reuniões oficiais
Gilbson Júnior afirmou em depoimento à Polícia Federal e a um procurador da República que era aliado de Carlos Brandão e frequentava o Palácio dos Leões para reuniões desde 2021, quando o governador era vice-governador. O condenado declarou possuir a vaga de garagem número 6 no prédio e afirmou que suas visitas eram registradas em ata, embora ele frequentemente entrasse pela área de vivência do governador. As reuniões iniciais, segundo o depoimento, tratavam da venda de terras no estado.
Contexto do homicídio e suposto esquema de propinas
O crime ocorreu em agosto de 2022, no centro comercial Tech Office, em São Luís. Inicialmente, a Polícia Civil do Maranhão concluiu que o crime foi motivado por desavença pessoal, resultando na condenação de Gilbson Júnior a 13 anos de prisão. No entanto, investigações da Polícia Federal apontam que o homicídio estaria relacionado a uma briga pela divisão de propinas. Gilbson relatou que uma empresa teria recebido pagamentos do governo estadual e, devido a dívidas trabalhistas, o valor não seria repassado ao grupo de Brandão, gerando pressões e ameaças.
Alegações de silenciamento e interferência
Gilbson Júnior afirmou que, após o crime, recebeu pagamentos em espécie para permanecer em silêncio, valores que variavam entre R$ 40 mil e R$ 15 mil mensais. Ele relatou que as negociações eram intermediadas por Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública, e por outros intermediários. O depoimento também menciona que a Polícia Civil teria omitido a presença de Daniel Brandão nas imagens de câmeras do local do crime. O caso está sob análise do STF, com o ministro Flávio Dino como relator, após indícios de que o senador Weverton Rocha teria tentado interferir no processo no STJ para proteger os membros da família Brandão.