SpaceX prepara IPO histórico de US$ 1,75 trilhão com estratégia para manter controle de Elon Musk
A SpaceX planeja sua estreia na bolsa de valores com uma avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão, mas adota modelo raro de 'empresa controlada' para garantir que Elon Musk mantenha o poder decisório. A estratégia dispensa a maioria de diretores independentes e comitês obrigatórios, exceto o de auditoria, similar ao modelo da Meta. Especialistas apontam que a medida visa evitar pressões externas e conflitos legais como os enfrentados pela Tesla.
Modelo de 'empresa controlada' e suas implicações
A SpaceX utilizará o status de 'empresa controlada' para evitar a obrigatoriedade de ter a maioria de diretores independentes em seu conselho, uma exigência comum para empresas listadas na bolsa. Segundo documentos analisados pela Reuters, a companhia será dispensada de formar comitês independentes para decisões sobre salários ou indicações de executivos, mantendo apenas um comitê de auditoria com diretores independentes. Essa abordagem é semelhante à adotada pela Meta, onde Mark Zuckerberg detém controle majoritário dos votos, mas a empresa optou por manter diretores independentes. O professor David Larcker, da Universidade de Stanford, destacou que essa estratégia pode aliviar pressões legais similares às enfrentadas pela Tesla, onde a falta de independência do conselho resultou em decisões judiciais desfavoráveis.
Concentração de poder e riscos para investidores
A SpaceX planeja usar ações de supervoto para concentrar o poder decisório nas mãos de Elon Musk e um pequeno grupo de aliados. Esse modelo, que representa apenas 3% a 4% das maiores empresas listadas nos EUA, visa proteger a gestão de influências externas. No entanto, a ausência de comitês independentes para temas críticos, como remuneração e governança, levanta preocupações sobre transparência e prestação de contas. A estratégia reflete uma tendência de empresas de tecnologia em priorizar o controle dos fundadores, mesmo após a abertura de capital, mas pode gerar desconfiança entre investidores institucionais e reguladores.