Imigrantes Bolivianos Resgatados de Trabalho Análogo à Escravidão em Oficinas de MG
Vinte e nove imigrantes bolivianos foram resgatados de condições análogas à escravidão em oficinas de costura em Betim e Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. As operações, realizadas em 2025, partiram de denúncias anônimas e investigações na cadeia produtiva de marcas como Anne Fernandes e Lore.
Detalhamento das Operações e Irregularidades
As inspeções fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) resgataram imigrantes submetidos a jornadas de trabalho extenuantes, que se estendiam das 6h da manhã até a madrugada, com a participação de crianças. Os trabalhadores atuavam sem registro em carteira, FGTS ou cobertura do INSS, e a remuneração em parte dos casos era inferior ao salário mínimo. Uma das operações foi iniciada após denúncias ao Conselho Tutelar via Disque 100, indicando aliciamento de compatriotas por um cidadão boliviano. Ao todo, 16 trabalhadores foram resgatados em uma oficina ligada à Lore Confecções (12 homens, 4 mulheres, incluindo um adolescente) e outros 13 na fiscalização relacionada à Lagoa Mundau Indústria e Comércio Atacadista de Roupas, marca Anne Fernandes.
Posição das Empresas
A Lagoa Mundau, proprietária da marca Anne Fernandes, declarou em nota que repudia violações trabalhistas, classificou a oficina como fornecedor autônomo sem controle sobre a mão de obra, desconhecia as irregularidades, contestou a autuação e rescindiu o contrato após a operação. A Lore Confecções não foi citada em relação a uma declaração específica na fonte.