Pará sedia encontro histórico para fortalecer políticas públicas voltadas aos povos de terreiro
Evento organizado pela Rede Matriarcas, Ministério da Igualdade Racial e Fiocruz discute implementação do Decreto nº 12.278/2024 e propõe criação da Casa da Igualdade Racial no estado. Temas como afroturismo, segurança alimentar e combate à violência religiosa estão em pauta até domingo (24).
Contexto e objetivos do encontro
O Pará recebeu, a partir de quinta-feira (21), um encontro voltado à construção de políticas públicas para povos de terreiro e de matriz africana. O evento, realizado na ilha de Cotijuba, em Belém, e com programação estendida até domingo (24) nas cidades de Santa Bárbara do Pará e Ananindeua, busca reforçar a implementação do Decreto nº 12.278/2024. Apesar de representar um avanço no reconhecimento desses povos como sujeitos de direitos, o decreto enfrenta desafios práticos, especialmente na região amazônica. A abertura contou com a assinatura do Termo de Adesão à Política Nacional Coletiva para Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro do Pará, com participação da diretora de Políticas Públicas para Povos de Terreiros e de Matriz Africana do Ministério da Igualdade Racial, Luzi Borges.
Temas centrais e propostas
Entre os principais temas debatidos no encontro estão o afroturismo, a geração de renda, a inclusão produtiva de mulheres de axé, o acesso ao trabalho a partir de saberes tradicionais, a participação em programas culturais, a segurança alimentar, a saúde integral da população negra e a preservação das culturas de matriz africana. A segurança dos povos de terreiro também é um ponto central, com discussões sobre estratégias para enfrentar a violência religiosa, entendida como uma expressão do racismo estrutural. Além disso, o evento propõe a criação da Casa da Igualdade Racial no Pará, um espaço que serviria como referência simbólica e prática para esses povos na Amazônia.