Arbaeen 2026: Maior peregrinação do mundo reúne 20 milhões de fiéis em Karbala em meio a tensões geopolíticas
Mais de 20 milhões de muçulmanos xiitas participaram da peregrinação anual do Arbaeen em Karbala, Iraque, em 4 de agosto de 2026. O evento, considerado a maior concentração religiosa do mundo, homenageia o Imam Hussein, neto do profeta Muhammad, e reforça laços comunitários e políticos na região. A guerra dos EUA contra o Irã intensificou o caráter simbólico da peregrinação, transformando-a em um ato de resistência.
Tradição e significado religioso
O Arbaeen marca o 40º dia após o martírio do Imam Hussein, ocorrido em 10 de outubro de 680 d.C., durante a Batalha de Karbala. Hussein, neto do profeta Muhammad, liderou uma revolta contra o califa Yazid I, acusado de corrupção e tirania. Sua morte é celebrada como um símbolo de resistência contra a opressão. A peregrinação não tem um ritual fixo de chegada: o percurso, que pode começar em cidades como Najaf, Basra ou até no Irã, é o foco central. Muitos fiéis caminham centenas de quilômetros para chegar ao santuário do Imam Hussein.
Estrutura comunitária e apoio logístico
Durante o Arbaeen, milhares de 'mawkibes' — estações de serviço ao longo das rotas — oferecem água, comida e hospedagem gratuitas aos peregrinos. Essas estruturas são mantidas por doações comunitárias e, em alguns casos, por apoio governamental estrangeiro, como o do Irã. As mawkibes funcionam como pontos de descanso, onde os fiéis podem pernoitar em tapetes e almofadas. A solidariedade é um dos pilares do evento, com moradores locais e voluntários dedicando-se a atender os peregrinos.
Contexto geopolítico e impacto da guerra EUA-Irã
A peregrinação do Arbaeen em 2026 ocorreu em um contexto de crescente tensão entre os EUA e o Irã, que intensificou o caráter político do evento. A guerra entre as duas nações, que se arrasta desde 2024, transformou o Arbaeen em um símbolo de resistência xiita e de unidade contra interferências externas. O apoio iraniano às mawkibes e a presença massiva de peregrinos do Irã reforçam a influência de Teerã na região. Analistas apontam que o evento também serve como uma demonstração de força da comunidade xiita, que representa cerca de 15% dos muçulmanos no mundo.