Roy Scranton e o pessimismo climático: 'Estamos ferrados' e a ética do desespero na literatura ambiental
O escritor Roy Scranton, autor de obras como 'Learning to Die in the Anthropocene' e 'Impasse: Climate Change and the Limits of Progress', se consolidou como uma das vozes mais controversas e pessimistas sobre a crise climática. Celebrado e criticado por frases como 'Estamos ferrados. As únicas perguntas são quão cedo e quão mal', Scranton defende uma abordagem de 'pessimismo ético', desafiando narrativas otimistas e propondo uma reflexão sobre os limites do progresso humano diante do colapso ambiental.
A polêmica em torno do pessimismo climático
Roy Scranton ganhou notoriedade ao publicar 'Learning to Die in the Anthropocene: Reflections on the End of a Civilization' em 2015, obra que se tornou um marco no debate sobre a crise climática. O livro, encontrado em destaque em livrarias como a City Lights em San Francisco, chocou leitores com afirmações diretas como 'Estamos ferrados. As únicas perguntas são quão cedo e quão mal'. Scranton, ex-soldado da Guerra do Iraque, argumenta que a civilização ocidental, baseada em combustíveis fósseis e crescimento infinito, está condenada ao colapso. Sua postura foi classificada como 'doomismo' pelo cientista climático Michael Mann, que o acusou de promover resignação em vez de ação.
Obras e argumentos centrais
Em 'We’re Doomed. Now What?' (2018), Scranton aprofunda sua crítica ao progresso, questionando a capacidade humana de reverter os danos ambientais. Seu livro mais recente, 'Impasse: Climate Change and the Limits of Progress' (2025), radicaliza a discussão ao propor um 'pessimismo ético', citando até mesmo passagens bíblicas como a de Jeremias para ilustrar a impotência dos 'deuses' criados pela humanidade. Para Scranton, a esperança muitas vezes serve como uma ilusão que adia a aceitação da realidade: a necessidade de aprender a viver — e morrer — em um mundo transformado pela crise climática. Suas ideias dividem ambientalistas, ecossocialistas e cientistas, mas também encontram eco entre aqueles que veem no otimismo uma forma de negação.
Reações e legado no debate ambiental
Scranton é frequentemente atacado por grupos que defendem soluções tecnológicas, políticas públicas ou espiritualidade como caminhos para enfrentar a crise climática. No entanto, sua obra ressoa em um público que enxerga na negação do colapso uma forma de perpetuar o mesmo sistema que o causou. Para seus críticos, como Andreas Malm, Scranton promove uma 'resignação' perigosa. Para seus defensores, ele oferece uma perspectiva honesta e necessária em um cenário onde o discurso dominante ainda se apega a narrativas de salvação. Independentemente da posição, sua contribuição para a literatura ambiental é inegável: ele forçou o debate a confrontar o que muitos preferem ignorar — a possibilidade real de um futuro sem redenção.