Irã endurece discurso e sinaliza prontidão para possíveis operações terrestres dos EUA
Autoridades iranianas intensificaram a retórica contra os Estados Unidos após o fim de um Memorando de Entendimento em junho. O país reforçou a defesa de áreas estratégicas, como a ilha de Kharg, e sinalizou uma transição de postura defensiva para ações ofensivas.
Postura militar e ameaças de retaliação
O chefe do gabinete político da Guarda Revolucionária (IRGC), Yadollah Javani, afirmou que as forças iranianas estão preparadas para adotar medidas ofensivas e 'surpresas estratégicas' caso o país seja atacado. O porta-voz da IRGC, Hossein Mohebbi, declarou que infraestruturas americanas e de aliados, incluindo redes de energia e sistemas de internet, podem ser alvos em caso de ataques a instalações civis iranianas. Além disso, autoridades discutiram a possibilidade de operações terrestres contra interesses americanos no Bahrein e no Kuwait.
Tensões no Estreito de Ormuz e defesa de infraestrutura
O Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo, é o foco central das tensões. O chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, estabeleceu recompensas de US$ 30 mil para a captura ou morte de um soldado americano e US$ 60 mil para uma mulher em caso de operação terrestre. Unidades de resposta rápida foram deslocadas para áreas costeiras e ilhas do sul, com o objetivo de impedir desembarques estrangeiros em locais como a ilha de Kharg.
Status das negociações e diplomacia
Apesar do fim do Memorando de Entendimento em junho, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que o documento não estabelecia um prazo específico para o cessar-fogo e que as negociações com Omã para a reabertura parcial do Estreito de Ormuz continuam enfrentando obstáculos técnicos e jurídicos. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou o memorando como uma vitória diplomática e afirmou que o Irã saiu vitorioso do confronto com Estados Unidos e Israel.