Estudo Prevê Aumento de Mortes e Perda de Produtividade por Câncer Colorretal no Brasil
Nos próximos cinco anos, o Brasil deve registrar cerca de 162 mil mortes por tumores malignos do intestino grosso. O câncer colorretal, segundo tipo mais frequente no país, também deve resultar na perda de 3,27 milhões de anos potenciais de vida. O prejuízo econômico indireto, devido à perda de produtividade por óbito precoce, foi calculado em US$ 7,14 bilhões.
Projeções de Mortalidade e Perda de Vida
Um estudo publicado em março na revista médica The Lancet Regional Health – Americas projeta que, nos próximos cinco anos, aproximadamente 162 mil pessoas com mais de 15 anos morrerão no Brasil devido a tumores malignos do cólon e reto. A doença, conhecida como câncer colorretal, já é o segundo tipo mais comum no país, excluindo os tumores de pele não melanoma. A enfermidade deverá acarretar a perda de 3,27 milhões de anos potenciais de vida, o que implica um encurtamento médio de 20 anos na expectativa de vida dos indivíduos afetados.
Impacto Econômico e Metodologia do Estudo
O impacto econômico indireto, decorrente da perda de produtividade associada a óbitos prematuros, foi estimado em US$ 7,14 bilhões para os próximos cinco anos. Este valor não abrange os custos diretos com diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes. A pesquisa, coordenada pela epidemiologista Marianna de Camargo Cancela, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), baseou suas estimativas na análise de dados de mortalidade por tumores colorretais registrados entre 2001 e 2015, obtidos através do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Adicionalmente, foram utilizados dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE para estimar o salário médio, as taxas de participação na força de trabalho e o desemprego por sexo e idade. Com base nessas informações dos primeiros 15 anos, os pesquisadores projetaram as tendências de mortes e perda de produtividade de 2016 a 2030. O cenário atual é classificado como preocupante, com um crescimento contínuo nos casos de câncer de cólon e reto no Brasil desde o início do século.