Criatividade retarda envelhecimento cerebral em até sete anos, aponta estudo
Pesquisa internacional com participação da USP revela que atividades criativas, como dança e música, podem rejuvenescer o cérebro em até sete anos. Estudo destaca que a combinação de criatividade, atividade física e aprendizado escolar potencializa os benefícios, reduzindo riscos de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.
Atividades criativas e seus impactos
Um estudo conduzido por pesquisadores internacionais, incluindo o neurologista Renato Anghinah da Universidade de São Paulo (USP), demonstrou que atividades criativas têm um papel fundamental no retardamento do envelhecimento cerebral. Segundo a pesquisa, práticas como dança, especialmente aquelas que envolvem coreografias complexas como o tango, exigem não apenas esforço físico, mas também um intenso exercício mental. "Com cada pessoa que você vai dançar é uma dança diferente. O condutor tem sempre aquele trabalho de construir a dança junto com a outra pessoa", explicou Sirley, professora de tango, destacando a necessidade de memorização e adaptação constante dos passos.
Mecanismos cerebrais e benefícios a longo prazo
O neurologista Renato Anghinah detalhou que, do nascimento até os 12 anos, o cérebro passa por uma fase intensa de criação e conexão de neurônios. Dos 12 aos 28 anos, esse processo desacelera e, a partir dos 60, inicia-se uma fase de perda neuronal. No entanto, atividades criativas, quando combinadas com exercícios físicos e aprendizado contínuo, ajudam a formar uma "poupança cerebral", preservando funções cognitivas. "Ao comparar pessoas de 70 anos que tiveram atividades criativas com outras que não tiveram, observamos um ganho de até sete anos no funcionamento do cérebro", afirmou Anghinah. Além disso, o estudo sugere que a criatividade pode reduzir o risco de doenças como o Alzheimer, embora não seja uma garantia absoluta.
Diversidade de práticas criativas
Embora o tango tenha sido destacado como exemplo, o estudo ressalta que qualquer estilo de dança ou atividade criativa pode trazer benefícios semelhantes. A chave está na combinação de desafios mentais, aprendizado de novas habilidades e movimento físico. "Não precisa ser só o tango. Qualquer dança, desde que envolva criatividade e movimento, pode contribuir para a saúde cerebral", reforçou o pesquisador.