Adoçantes Artificiais Podem Afetar Metabolismo de Gerações Futuras, Indica Estudo Chileno
Novo estudo da Universidade do Chile sugere que o consumo de adoçantes não nutritivos como sucralose e estévia pode ter um impacto genético transmitido às gerações seguintes. A pesquisa, realizada em camundongos, revelou alterações no metabolismo e na inflamação intestinal, mesmo em descendentes que nunca consumiram os aditivos.
Efeitos Intergeracionais de Sucralose e Estévia
Um estudo conduzido pela Universidade do Chile e publicado na Frontiers in Nutrition analisou o impacto de adoçantes não nutritivos (NNS) em três gerações de camundongos. A geração original (F0) consumiu água com sucralose ou estévia, enquanto as gerações F1 e F2 receberam apenas água pura. Os resultados indicaram que a sucralose aumentou a atividade de genes ligados à inflamação intestinal (Tlr4 e Tnf) na geração F0 e F1. No fígado, o consumo de sucralose reduziu a expressão do gene Srebp1, uma alteração que persistiu em ambas as gerações descendentes. Machos descendentes do grupo da sucralose apresentaram respostas glicêmicas alteradas e níveis mais elevados de açúcar no sangue em jejum.
Microbioma Intestinal como Vetor da Transmissão
A pesquisa aponta que as alterações no microbioma intestinal parecem ser o mecanismo principal para a transmissão desses efeitos intergeracionais. Ambos os adoçantes analisados demonstraram reduzir a concentração de ácidos graxos de cadeia curta (SCFA), compostos essenciais para a saúde metabólica e controle da inflamação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia levantado questionamentos sobre os benefícios a longo prazo dos adoçantes, sugerindo que podem não auxiliar no controle de peso e estar associados a riscos aumentados de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.