Elon Musk defende renda universal alta sem risco de inflação, mas economista alerta para incertezas históricas
Elon Musk afirmou que uma 'renda universal alta' paga pelo governo federal não causaria inflação, argumentando que avanços em IA e robótica aumentariam a produção e reduziriam preços. O economista Steve Hanke, da Johns Hopkins, reconhece a lógica teórica, mas cita exemplos históricos de períodos de crescimento econômico com inflação e deflação, destacando que não há garantias.
A proposta de Musk e o contexto econômico
Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX, defendeu recentemente que a melhor forma de lidar com a perda de empregos causada pela inteligência artificial (IA) seria a implementação de uma 'renda universal alta' pelo governo federal dos Estados Unidos. Segundo Musk, o avanço da IA e da robótica aumentaria significativamente a produção de bens e serviços, o que compensaria o impacto inflacionário de injetar mais dinheiro na economia. 'IA/robótica produzirão bens e serviços muito além do aumento da oferta monetária, então não haverá inflação', afirmou o bilionário.
Análise de Steve Hanke: teoria vs. realidade histórica
Steve Hanke, professor de economia aplicada na Universidade Johns Hopkins e conhecido como 'Médico do Dinheiro' por seu trabalho em crises monetárias, concordou com a lógica teórica de Musk, baseada na 'teoria quantitativa da moeda'. Segundo Hanke, a proposta de Musk poderia, em tese, levar à deflação, não à inflação. No entanto, o economista ressaltou que a relação entre crescimento econômico e inflação não é linear. Hanke citou dois períodos históricos dos EUA: entre 1866 e 1897, houve um boom de produtividade, forte crescimento econômico e deflação; já entre 1897 e 1914, o país viveu crescimento econômico acompanhado de inflação. 'Isso mostra que as taxas de crescimento e de variação de preços foram independentes uma da outra no passado', explicou, destacando que não há garantias de que a proposta de Musk evitaria a inflação.