Estatais Federais Registram Rombo Recorde de R$ 4,1 Bilhões no Primeiro Bimestre de 2026
Empresas estatais federais apresentaram um déficit de R$ 4,16 bilhões nos dois primeiros meses de 2026, o pior resultado da série histórica do Banco Central iniciada em 2002. O prejuízo se aproxima do déficit total de R$ 5,1 bilhões registrado em todo o ano de 2025.
Déficit sem Precedentes
O Banco Central informou que, de janeiro a fevereiro de 2026, as empresas estatais federais acumularam um déficit de R$ 4,16 bilhões. Este valor indica que o total de gastos dessas empresas superou a receita obtida no período. A série histórica do BC, que abrange desde 2002, aponta este como o pior resultado para o primeiro bimestre de um ano. O recorde anterior para este período, registrado em 2024, foi de um déficit de R$ 1,36 bilhão. O resultado negativo dos dois primeiros meses de 2026 já se aproxima do déficit total de R$ 5,1 bilhões registrado ao longo de todo o ano de 2025.
Exclusões e Empresas Incluídas no Cálculo
É importante notar que a série histórica do Banco Central não inclui a Petrobras, a Eletrobras e empresas do setor financeiro (bancos públicos). Estas foram excluídas do cálculo de estatais federais em 2009, mas a série histórica anterior foi revisada seguindo a nova metodologia. Empresas como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea fazem parte deste cálculo. O conceito utilizado pelo BC considera a variação da dívida, método comum em análises fiscais internacionais, diferenciando-se do conceito governamental de "acima da linha" (receitas menos despesas, excluindo juros da dívida).
Crise nos Correios Agrava Cenário
O resultado financeiro negativo das estatais federais ocorre em um contexto de grave crise nos Correios, caracterizado pela deterioração de seu resultado financeiro. Os Correios detêm o monopólio de serviços como recebimento, transporte e entrega de correspondências e cartões-postais, além da fabricação de selos. Até setembro de 2025, o prejuízo acumulado dos Correios foi de R$ 6 bilhões, com a projeção de que o resultado anual fechado possa ter atingido R$ 10 bilhões (informação ainda não divulgada). Em dezembro de 2025, os Correios contraíram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional.