Justiça absolve jovem após 74 dias preso por roubo em Praia Grande; defesa alega racismo institucional
Wesley de Andrade Ribeiro, de 18 anos, foi absolvido pela 1ª Vara Criminal de Praia Grande após passar 74 dias preso sob acusação de roubo e corrupção de menores. O juiz apontou falhas no reconhecimento dos suspeitos e ausência de provas suficientes para condenação. Wesley afirmou que a cor da sua pele influenciou no caso e que tentava recuperar uma corrente roubada.
Decisão judicial e fragilidade das provas
A sentença proferida pelo juiz Rhuan Dergley da Silva, da 1ª Vara Criminal de Praia Grande, destacou a ausência de provas robustas para condenar Wesley de Andrade Ribeiro. O magistrado apontou falhas no reconhecimento dos suspeitos, realizado pela Guarda Civil Municipal (GCM) sem as devidas cautelas legais. A vítima não conseguiu identificar com precisão quem puxou a corrente durante o crime. Além disso, os guardas municipais não presenciaram o roubo, abordando os suspeitos apenas após vê-los correndo pela orla. Nenhum objeto foi encontrado com Wesley ou o outro acusado durante a abordagem, e a corrente foi localizada posteriormente na calçada. O juiz aplicou o princípio do 'in dubio pro reo', absolvendo o jovem por falta de provas conclusivas.
Repercussão e alegação de racismo
Wesley de Andrade Ribeiro afirmou à reportagem que acredita ter sido vítima de racismo institucional durante o processo. 'Tenho certeza de que, se eu tivesse nascido com uma cor mais clara, eu nunca passaria por essa situação', declarou. No momento da prisão, Wesley alegou que corria atrás dos criminosos para ajudar a recuperar a corrente de ouro roubada. A defesa do jovem reforçou que a abordagem policial e o reconhecimento dos suspeitos foram realizados de maneira inadequada, contribuindo para a injustiça sofrida.