Vazão do Rio Amazonas aumenta até 60% em afluentes e agrava riscos de enchentes extremas
Estudo liderado por hidrólogos brasileiros e internacionais revela que a vazão média do Rio Amazonas e seus afluentes aumentou até 60% desde 2005, intensificando secas e inundações na região. A pesquisa analisou dados de 1970 a 2023 e apontou recordes históricos, como a vazão de 160 mil m³/s em Óbidos (PA), comparável à soma dos sete maiores rios do mundo. As planícies de inundação, como a de Parintins (AM), registraram picos superiores a 40 mil m³/s, equivalentes à vazão média do Rio Congo.
Mudanças históricas na vazão
O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com instituições da França e do Reino Unido, combinou medições de nível e vazão do rio, imagens de satélite e modelos computacionais para reconstruir o histórico do fluxo das águas em quatro planícies de inundação do baixo Amazonas, entre Manaus (AM) e Santarém (PA), no período de 1970 a 2023. Os resultados indicam um aumento médio de 4,7% na vazão do rio a partir de 2005, em comparação com o período anterior (1970-2004). Na planície do Lago Grande do Curuai, em Santarém, o aumento chegou a 60%, um valor 13 vezes superior ao registrado em outras áreas analisadas.
Impactos das enchentes extremas
As enchentes de 2009 e 2021 quebraram recordes históricos na região de Parintins (AM), com vazões superiores a 40 mil m³/s, equivalentes à vazão média do Rio Congo, o segundo maior do mundo. O Amazonas, que já é o rio mais volumoso do planeta, com uma vazão média de 160 mil m³/s em Óbidos (PA), tem inundado áreas de várzea com larguras entre 10 km e 100 km, afetando florestas, zonas rurais e urbanas. A pesquisa alerta para os riscos crescentes de eventos extremos, como secas prolongadas e inundações devastadoras, que podem se intensificar com as mudanças climáticas.