OAB-PR pede afastamento de desembargador do TJPR suspeito de vender decisão judicial por quadriciclo
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) solicitou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o afastamento cautelar do desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). O magistrado é investigado por supostamente ter negociado uma decisão judicial em troca de um quadriciclo. A denúncia foi apresentada pela Construtora Zoller, que alega ter sido prejudicada no processo e apresentou indícios como nota fiscal em nome do filho do desembargador e fotos nas redes sociais.
Denúncia e investigação
A denúncia contra o desembargador Francisco Carlos Jorge foi formalizada pela Construtora Zoller, de Curitiba, no final de abril de 2026. A empresa alega ter sido prejudicada em um processo judicial e apresentou provas que incluem o depoimento do administrador da loja que vendeu o quadriciclo, uma nota fiscal emitida em nome do filho do desembargador e uma foto publicada no Instagram mostrando os netos de Jorge pilotando o veículo. O CNJ já iniciou a apuração dos fatos.
Pedido de afastamento e justificativas da OAB-PR
Em petição assinada no dia 25 de maio de 2026, a OAB-PR solicitou o afastamento cautelar do desembargador durante a investigação, alegando que ele não respeitou a ordem de suspensão emitida pelo TJPR em 10 de março. A instituição também requereu que Jorge tenha acesso vedado ao processo e às partes envolvidas. Caso o afastamento integral não seja acatado, a OAB-PR pediu a redistribuição compulsória dos processos sob sua relatoria. A OAB-PR destacou que o desembargador atuou 'em causa de interesse próprio', violando o princípio de imparcialidade previsto no Código de Ética da Magistratura Nacional.
Posicionamento do desembargador
Francisco Carlos Jorge negou as acusações, afirmando que não existem provas ou evidências de benefício indevido ou irregularidade. O desembargador argumenta que as alegações são infundadas e que está colaborando com as investigações para esclarecer os fatos.