Papa Leão XIV denuncia lógica de exploração e desigualdades em visita a Angola
O papa Leão XIV iniciou sua visita a Angola neste sábado (18/04) com críticas contundentes à 'lógica de exploração' das riquezas materiais, associando-a a 'catástrofes sociais e ambientais'. Em discurso no Palácio Presidencial de Luanda, o pontífice destacou as desigualdades no país, onde um terço da população vive abaixo da linha de pobreza, apesar da abundância de petróleo e minerais. Leão XIV também exortou as autoridades a valorizarem a diversidade e a não reprimirem a dissidência.
Críticas à exploração de recursos e desigualdades
Em seu primeiro discurso em Angola, o papa Leão XIV condenou a 'lógica de exploração' das riquezas materiais, afirmando que ela gera 'sofrimentos, mortes e catástrofes sociais e ambientais'. O pontífice destacou que esse modelo de desenvolvimento 'discrimina e exclui', mas ainda é imposto como 'o único possível'. Angola, país rico em petróleo e minerais, enfrenta profundas desigualdades, com cerca de um terço de sua população vivendo abaixo da linha internacional de pobreza. Leão XIV ressaltou que o país possui 'tesouros' que podem impulsionar seu crescimento, desde que as autoridades priorizem o 'bem comum' sobre interesses particulares.
Exortação à diversidade e diálogo
O papa Leão XIV pediu às autoridades angolanas que não 'tenham medo da dissidência' e que valorizem a diversidade de visões, especialmente dos jovens e dos mais velhos. Em um país governado pelo mesmo partido desde a independência, em 1975, o pontífice enfatizou a importância de 'colocar o bem comum acima dos interesses do próprio campo'. A visita a Angola é a terceira etapa de uma maratona de 11 dias pela África, durante a qual Leão XIV percorreu as ruas de Luanda em papamóvel, saudando fiéis sob o calor úmido da capital.